PARA QUEM CUIDA

Empatia: um olhar para o próximo no combate ao cyberbullying

Publicado em: 14/02/2022 às 12h23
Itinerarios

Por Wagner Rodrigo Floriano

Ao pensarmos em tecnologias de modo geral, já pensamos em facilitadores e, com a internet, não deveria ser diferente. Aliás, ano após ano, nos tornamos cada vez mais dependentes do mundo virtual. O que nos serve como instrumento de comunicação, facilitador em assuntos burocráticos como o pagar de uma conta, também tem se mostrado nocivo nas mãos de pessoas más intencionadas ou sem a orientação correta.

Durante o ano de 2019, antes ainda da pandemia e com escolas e estudantes a todo vapor, fomos chamados, NAAPA e eu, duas vezes, por diferentes escolas para falarmos sobre cyberbullying e o bom uso da internet. Experiências essas que nos trouxeram aprendizagem, troca e satisfação com os resultados obtidos.

Na DRE-JT sou formador de TPA Tecnologias para a Aprendizagem e, entre algumas das minhas funções, tenho a missão de capacitar os professores de educação digital do nosso território. Na época, com esses profissionais falamos e vivenciamos experiências ligadas à modelagem, construção e criação de objetos em 3D, fotografia e educomunicação, assim como elementos do nosso currículo e conceitos de ética e do bom uso da internet na escola, proposta esta, inclusive pautada em materiais advindos da parceria SME e Safernet Brasil. Em termos de pautas formativas, tudo andava conforme o cronograma. Até que recebemos a primeira ligação com um pedido de auxílio.

Segundo a CP, quando nos ligou, a escola já tinha desenvolvido algumas ações nas aulas de educação digital e algumas discussões com os estudantes sobre Ética e bom uso das tecnologias, porém a cada dia apareciam mais perfis nas redes sociais difamando e insultando estudantes e até os profissionais da unidade. A U.E. precisava de uma orientação sobre quais medidas deveriam ser tomadas.

Após uma conversa e muita troca de material com a EMEF, em conversa com o NAAPA, em especial, com a Marcela Sacomam que me acompanhou durante todo o diálogo com os estudantes, concluímos que do mesmo modo que os boatos e publicações partiram dos estudantes, deveríamos conscientizá-los para que eles apagassem e finalizassem essa história. Deste modo, pensando em uma curta-metragem criada pelos estudantes da EMEF Raul de Leoni em que mostrava as dores e as dificuldades de uma jovem recém-matriculada em um espaço que lhe apresentava o bullying, chegamos à conclusão que a melhor abordagem seria a empatia.

No dia das apresentações, tanto a primeira Unidade Escolar quanto a segunda achou melhor que dialogássemos com os estudantes do Fundamental II. Deste modo, passamos uma manhã na primeira escola e uma tarde na segunda. Os diálogos foram iniciados pautados na empatia. Falamos sobre o próximo, suas diferenças, suas dores ocultas e a importância do diálogo e do respeito. Deixamos os estudantes à vontade, as falas eram livres, as experiências e opiniões foram ouvidas por todos sem qualquer apontamento.

Com o passar da conversa e a cada término de vídeo ou relato, o silêncio, o riso, o olhar atento se apresentavam de acordo com as circunstâncias.  Muitos eram aqueles que no término de cada “aula” se aproximavam de nós para agradecer ou para desabafar. Chocamo-nos com o relato privado de um dos estudantes que nos confidenciou a vontade e as diversas tentativas de suicídio, relato que surpreendeu a professora e a coordenadora que nos acompanhavam, pois, para elas, tal estudante jamais apresentara qualquer tipo de sofrimento.

Ao término de cada fala, Marcela e eu concluíamos que a internet não é uma terra de ninguém, não é um espaço livre de lei ou consequências e, que por trás de cada máquina há um ser humano, uma pessoa que é amada por alguém e que tem uma história. Então, seja nas redes sociais, seja em um espaço de socialização como também são as escolas, devemos ter sempre um olhar de empatia e de respeito pela história do outro, pois são nossas diferenças que nos enriquecem como indivíduos.

Contudo, ao término das apresentações, os professores e as escolas deram continuidade à pauta do diálogo, da empatia e do correto uso da internet e das redes sociais. Pelo que fomos informados, os mesmos estudantes que criaram os perfis de fofoca e intrigas os apagaram na mesma semana. Além disso, o estudante que nos procurou buscando auxílio, foi atendido e acompanhado pelas pessoas e núcleo responsáveis. Deste modo, em nossa conversa final de avaliação do processo, concluímos que por mais que os jovens estejam inseridos neste mundo de tecnologias, internet e redes sociais, estes mesmos precisam de orientação e acompanhamento de um adulto, pois a mesma ferramenta que facilita, pode causar muitos transtornos na vida de uma pessoa.

Wagner

Wagner Rodrigues Floriano é formador de TPA Tecnologias para a Aprendizagem da DRE Jaçanã/Tremembé

 

 

 

 

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